24 de junho de 2006

Bolas de Berlim

Uma palavra de apreço pelas melhores bolas de Berlim de Lisboa!

20 de junho de 2006

Jules Renard


«To write is a way of speaking without being interrupted.»

14 de junho de 2006

Elogio do Prazer

O que é a vida? O que é o prazer, sem a dourada Afrodite?
Que eu morra, quando estas coisas já não me interessarem:
o amor secreto, as suaves ofertas e a cama,
que são flores da juventude sedutoras
para homens e mulheres. Mas quando chega a dolorosa
velhice, que faz até do homem belo um homem repulsivo,
tristes preocupações sempre lhe moem os pensamentos
e já não sente prazer em contemplar a luz do sol,
mas é odiado pelos rapazes e desonrado pelas mulheres.
Assim áspera foi a velhice que o deus impôs.

Elogio do Prazer cf. fragmento 1 de M. L. West, Iambi et Elegi Graeci, Oxford, 1989(2), 1992(2).
traduzido por Frederico Lourenço.

2 de junho de 2006

Ordem dos Médicos multada



A Ordem dos Médicos foi multada em 250 mil euros pela Autoridade da Concorrência, segundo noticiou, nesta quinta-feira, o jornal Público, por «impor uma tabela de preços máximos e mínimos ao serviços clínicos prestados em regime privado». Sem querer repetir as palavras do bastonário, acrescento que, de facto, é totalmente descabido configurar a actividade médica como uma actividade comercial, submetida às leis concorrenciais do mercado
(como faz Abel Mateus da Autoridade da Concorrência). Um médico não pode ser tentado a diminuir a qualidade dos seus serviços, de forma a aumentar a margem de lucro. Não pode ser tentado a diminuir a dose de anestesia, a aproveitar as luvas para mais de um doente, a não oferecer tudo aquilo que define um serviço da mais elevada qualidade. Se realmente tiver de começar a cortar na despesa de forma a ser mais apto sob a pressão selectiva das actividades comerciais, será de prever uma diminuição da qualidade dos serviços prestados. Acontece que a lógica médica não é a lógica da mercearia de bairro - os melhores produtos aos melhores preços. A medicina lida com a (tentativa de) menorização do sofrimento humano. É óbvio que os melhores equipamentos são os mais dispendiosos, a mais longa formação espera recompensa, o mais profissional dos serviços (com manutenção de assépsia dos materiais, roupas e espaços), bem como a presença de enfermeiros bem treinados, tudo tem os seus custos. Podemos dispensar a presença constante de um enfermeiro? Sim. Podemos «olhar para o lado» na hora de exigir assépsia estrita para cada novo doente? Sim. Mas é evidente que os doentes saem prejudicados com isso. Quem nunca devia ter aberto a boca era Abel Mateus, pois a práctica médica está bem fora do seu domínio (comercial); e, como dizia Chesterton, se se vai abrir a boca é para morder alguma coisa e não para ficar com ela escancarada e ar de otário.

31 de maio de 2006

Recriação portuguesa do Funeral Blues de W. H. Auden

Blues Fúnebres

Parem todos os relógios, os telefones barulhentos,
Impeçam o cão de ladrar aos ossos suculentos,
Silenciem os pianos e com tambores abafados
Tragam o caixão, deixem vir os enlutados.

Deixem que os aviões cirandem em lamento no apogeu
Escrevinhando no céu a mensagem Ele Morreu,
Ponham laços de crêpe em torno dos colos brancos das pombas urbes,
Deixem que os polícias sinaleiros usem luvas de algodão lúgubres.

Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Este e Oeste,
A minha semana de trabalho e o meu domingo celeste,
O meu meio-dia, a minha meia-noite, a minha palavra, a minha canção;
Pensei que o amor duraria para sempre: era uma ilusão.

As estrelas já não são desejadas; extingam-nas uma por uma;

Encaixotem a lua e tapem o sol com a bruma;
Varram os bosques e que o oceano seja vertido;
Pois nada mais pode fazer qualquer sentido.

Abril, 1936

29 de maio de 2006

Le Temps qui Reste: a angústia da morte



O tempo que resta a Romain (Melvil Poupaud) são três meses, contados a partir do momento em que o médico lhe diz ter um cancro em estado avançado e com remotas hipóteses de cura. "O Tempo que Resta" é o retrato desses três meses - e, a quem pensar que isto é a receita para um dramalhão angustiante, maníaco-depressivo ou lacrimejante, François Ozon faz a fineza de dar um valentíssimo murro no estômago. "O Tempo que Resta" é um filme enxutíssimo, seco, descarnado como o corpo de Romain em emaciamento progressivo, depurado à essência de uma vida a prazo. É a obra-prima do cineasta francês de "Sob a Areia", "8 Mulheres", "Swimming Pool" e "5x2" - porque, por uma qualquer inexplicável ironia, o seu habitual olhar distante e clínico, por vezes mordaz, está aqui intacto mas é absolutamente essencial à economia do filme.

Para ler o resto da crítica, consultar: http://cinecartaz.publico.clix.pt/criticas.asp?id=146706&Crid=49&c=3657

26 de maio de 2006

o mais belo amor do mundo é aquele que escala

«Ora, quando alguém se eleva da realidade sensível, graças à prática de amar correctamente os jovens, e começa a distinguir esse Belo de que falamos, já pouco falta para atingir a meta. E aqui tens o recto caminho pelo qual se chega ou se é conduzido por outrem aos mistérios do amor: partindo da beleza sensível em direcção a esse Belo, é sempre ascender, como que por degraus, de beleza de dois à de todos os corpos, dos corpos belos às belas ocupações e destas, à beleza dos conhecimentos até que a partir destes alcance esse tal conhecimento, que não é senão o do Belo em si e fique a conhecer, ao chegar ao termo, a realidade do Belo.»

Discurso de Diotima por Sócrates n'O Banquete de Platão.