«Every afternoon, as they were coming from school, the children used to go and play in the Giant's garden.»
24 de junho de 2006
23 de junho de 2006
20 de junho de 2006
14 de junho de 2006
Elogio do Prazer
O que é a vida? O que é o prazer, sem a dourada Afrodite?
Que eu morra, quando estas coisas já não me interessarem:
o amor secreto, as suaves ofertas e a cama,
que são flores da juventude sedutoras
para homens e mulheres. Mas quando chega a dolorosa
velhice, que faz até do homem belo um homem repulsivo,
tristes preocupações sempre lhe moem os pensamentos
e já não sente prazer em contemplar a luz do sol,
mas é odiado pelos rapazes e desonrado pelas mulheres.
Assim áspera foi a velhice que o deus impôs.
Que eu morra, quando estas coisas já não me interessarem:
o amor secreto, as suaves ofertas e a cama,
que são flores da juventude sedutoras
para homens e mulheres. Mas quando chega a dolorosa
velhice, que faz até do homem belo um homem repulsivo,
tristes preocupações sempre lhe moem os pensamentos
e já não sente prazer em contemplar a luz do sol,
mas é odiado pelos rapazes e desonrado pelas mulheres.
Assim áspera foi a velhice que o deus impôs.
Elogio do Prazer cf. fragmento 1 de M. L. West, Iambi et Elegi Graeci, Oxford, 1989(2), 1992(2).
traduzido por Frederico Lourenço.
traduzido por Frederico Lourenço.
10 de junho de 2006
2 de junho de 2006
Ordem dos Médicos multada

A Ordem dos Médicos foi multada em 250 mil euros pela Autoridade da Concorrência, segundo noticiou, nesta quinta-feira, o jornal Público, por «impor uma tabela de preços máximos e mínimos ao serviços clínicos prestados em regime privado». Sem querer repetir as palavras do bastonário, acrescento que, de facto, é totalmente descabido configurar a actividade médica como uma actividade comercial, submetida às leis concorrenciais do mercado (como faz Abel Mateus da Autoridade da Concorrência). Um médico não pode ser tentado a diminuir a qualidade dos seus serviços, de forma a aumentar a margem de lucro. Não pode ser tentado a diminuir a dose de anestesia, a aproveitar as luvas para mais de um doente, a não oferecer tudo aquilo que define um serviço da mais elevada qualidade. Se realmente tiver de começar a cortar na despesa de forma a ser mais apto sob a pressão selectiva das actividades comerciais, será de prever uma diminuição da qualidade dos serviços prestados. Acontece que a lógica médica não é a lógica da mercearia de bairro - os melhores produtos aos melhores preços. A medicina lida com a (tentativa de) menorização do sofrimento humano. É óbvio que os melhores equipamentos são os mais dispendiosos, a mais longa formação espera recompensa, o mais profissional dos serviços (com manutenção de assépsia dos materiais, roupas e espaços), bem como a presença de enfermeiros bem treinados, tudo tem os seus custos. Podemos dispensar a presença constante de um enfermeiro? Sim. Podemos «olhar para o lado» na hora de exigir assépsia estrita para cada novo doente? Sim. Mas é evidente que os doentes saem prejudicados com isso. Quem nunca devia ter aberto a boca era Abel Mateus, pois a práctica médica está bem fora do seu domínio (comercial); e, como dizia Chesterton, se se vai abrir a boca é para morder alguma coisa e não para ficar com ela escancarada e ar de otário.
31 de maio de 2006
Recriação portuguesa do Funeral Blues de W. H. Auden
Blues Fúnebres
Parem todos os relógios, os telefones barulhentos,
Impeçam o cão de ladrar aos ossos suculentos,
Silenciem os pianos e com tambores abafados
Tragam o caixão, deixem vir os enlutados.
Deixem que os aviões cirandem em lamento no apogeu
Escrevinhando no céu a mensagem Ele Morreu,
Ponham laços de crêpe em torno dos colos brancos das pombas urbes,
Deixem que os polícias sinaleiros usem luvas de algodão lúgubres.
Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Este e Oeste,
A minha semana de trabalho e o meu domingo celeste,
O meu meio-dia, a minha meia-noite, a minha palavra, a minha canção;
Pensei que o amor duraria para sempre: era uma ilusão.
As estrelas já não são desejadas; extingam-nas uma por uma;
Encaixotem a lua e tapem o sol com a bruma;
Varram os bosques e que o oceano seja vertido;
Pois nada mais pode fazer qualquer sentido.
Parem todos os relógios, os telefones barulhentos,
Impeçam o cão de ladrar aos ossos suculentos,
Silenciem os pianos e com tambores abafados
Tragam o caixão, deixem vir os enlutados.
Deixem que os aviões cirandem em lamento no apogeu
Escrevinhando no céu a mensagem Ele Morreu,
Ponham laços de crêpe em torno dos colos brancos das pombas urbes,
Deixem que os polícias sinaleiros usem luvas de algodão lúgubres.
Ele era o meu Norte, o meu Sul, o meu Este e Oeste,
A minha semana de trabalho e o meu domingo celeste,
O meu meio-dia, a minha meia-noite, a minha palavra, a minha canção;
Pensei que o amor duraria para sempre: era uma ilusão.
As estrelas já não são desejadas; extingam-nas uma por uma;
Encaixotem a lua e tapem o sol com a bruma;
Varram os bosques e que o oceano seja vertido;
Pois nada mais pode fazer qualquer sentido.
Abril, 1936
29 de maio de 2006
Le Temps qui Reste: a angústia da morte

O tempo que resta a Romain (Melvil Poupaud) são três meses, contados a partir do momento em que o médico lhe diz ter um cancro em estado avançado e com remotas hipóteses de cura. "O Tempo que Resta" é o retrato desses três meses - e, a quem pensar que isto é a receita para um dramalhão angustiante, maníaco-depressivo ou lacrimejante, François Ozon faz a fineza de dar um valentíssimo murro no estômago. "O Tempo que Resta" é um filme enxutíssimo, seco, descarnado como o corpo de Romain em emaciamento progressivo, depurado à essência de uma vida a prazo. É a obra-prima do cineasta francês de "Sob a Areia", "8 Mulheres", "Swimming Pool" e "5x2" - porque, por uma qualquer inexplicável ironia, o seu habitual olhar distante e clínico, por vezes mordaz, está aqui intacto mas é absolutamente essencial à economia do filme.
Para ler o resto da crítica, consultar: http://cinecartaz.publico.clix.pt/criticas.asp?id=146706&Crid=49&c=3657
26 de maio de 2006
o mais belo amor do mundo é aquele que escala
«Ora, quando alguém se eleva da realidade sensível, graças à prática de amar correctamente os jovens, e começa a distinguir esse Belo de que falamos, já pouco falta para atingir a meta. E aqui tens o recto caminho pelo qual se chega ou se é conduzido por outrem aos mistérios do amor: partindo da beleza sensível em direcção a esse Belo, é sempre ascender, como que por degraus, de beleza de dois à de todos os corpos, dos corpos belos às belas ocupações e destas, à beleza dos conhecimentos até que a partir destes alcance esse tal conhecimento, que não é senão o do Belo em si e fique a conhecer, ao chegar ao termo, a realidade do Belo.»
Discurso de Diotima por Sócrates n'O Banquete de Platão.
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